| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Tyranni |
| Infraordem: | Tyrannides |
| Wetmore & Miller, 1926 | |
| Parvordem: | Tyrannida |
| Família: | Tyrannidae |
| Vigors, 1825 | |
| Subfamília: | Tyranninae |
| Vigors, 1825 | |
| Espécie: | P. sulphuratus |
O bem-te-vi é uma ave passeriforme da família dos Tiranídeos.
Conhecido também como bem-te-vi-de-coroa, bem-te-vi-verdadeiro e em alguns lugares do NE como cirino, é provavelmente o pássaro mais popular de nosso país, podendo ser encontrado em cidades, matas, árvores à beira d'água, plantações e pastagens. Em regiões densamente florestadas habita margens e praias de rios.
É também muito popular nos outros países onde ocorre, recebendo nomes onomatopeicos em várias línguas como kiskadee em inglês, qu´est ce em francês (Guiana) e bichofêo em espanhol (Argentina).
Há ainda uma história que diz que o bem-te-vi seria a ave odiada por Deus, pois quando Jesus se escondia dos soldados que queriam matá-lo, o bem-te-vi viu Jesus escondido e começou a cantar: “bem te vi, bem te vi, bem te vi, então os soldados prenderam Jesus graças ao pássaro que “falou que viu Jesus escondido”.
Renato Terra homenageia o bem-te-vi em sua canção:
Bem-te-vi
Ai de ti, oh meu amor,
Se entre as notas da canção
Bem-te-vi, ah meu bem-te-vi,
Brilho frágil de emoção.
Na alegria das manhãs,
No começo de estação
Bem-te-vi, ah meu bem-te-vi,
Brilho frágil de ilusão.
Bem-te-vi, bem-te-vi,
Bem-te-vi como o verão
Voa livre por entre os jasmins
E pousa no meu coração.
Seu nome científico significa: do (tupi) Pitanguá guaçú = nome ameríndio tupi para várias espécies de papa-moscas; e do (latim) sulphuratus, sulfur = amarelo sulfúreo, sulfúreo, enxofre. ⇒ Pitanguá amarelo sulfúreo.
Ave de médio porte, o bem-te-vi mede entre 20,5 e 25 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente de 52-68 g. Tem o dorso pardo e a barriga de um amarelo vivo; uma listra (sobrancelha) branca no alto da cabeça, acima dos olhos; cauda preta. O bico é preto, achatado, longo, resistente e um pouco encurvado. A garganta (zona logo abaixo do bico) é de cor branca. Possui um topete amarelo somente visível quando a ave o eriça em determinadas situações.
O seu canto trissilábico característico lembra as sílabas bem-te-vi, que dão o nome à espécie. Portanto, seu nome popular possui origem onomatopeica.
Existem várias espécies de tiranídeos com o mesmo padrão de cores, dentre as quais 4 são particularmente similares ao bem-te-vi: o neinei (Megarynchus pitangua), o bentevizinho-do-brejo (Philohydor lictor), e os dois bentevizinhos do gênero Myiozetetes, o bentevizinho-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis) e o bentevizinho-de-asa-ferruginea (Myiozetetes cayanensis). O neinei é do mesmo tamanho do bem-te-vi, mas possui um bico maior e bem mais largo, o bentevizinho-do-brejo é mais esbelto, menor e apresenta o bico proporcionalmente mais afinado achatado. Já os bentevizinhos do gênero Myiozetetes são menores, possuem o bico cônico e proporcionalmente menor e as sobrancelhas brancas menos definidas.
Possui dez subespécies reconhecidas:
(Clements checklist, 2014).
O que é luteinismo?
Luteinismo é a ausência total da melanina, porém presença de pigmentos carotenoides. Portanto a ave apresenta-se geralmente amarela, além de possuir olhos vermelhos.
O que é flavismo?
Flavismo é a ausência parcial da melanina (nesse caso ainda pode ser observado um pouco da cor original da ave), porém presença de pigmentos carotenoides. A ave flavística ou canela se apresenta com a coloração diluída, devido à perda parcial de melanina, tanto da eumelanina (pigmento negro) quanto da feomelanina (pigmento castanho).
Possui uma variada alimentação. É insetívoro, podendo devorar centenas de insetos diariamente. Mas também come frutas (como bananas, mamões, maçãs, laranjas, pitangas e muitas outras), ovos e até memso filhotes de outros pássaros, flores de jardins, minhocas, pequenas cobras, lagartos, crustáceos, além de peixes e girinos de rios e lagos de pouca profundidade e até mesmo pequenos roedores. Costuma comer parasitas (carrapatos) de bovinos e equinos. Apesar de ser mais comum vê-lo capturar insetos pousados em ramos, também é comum atacá-los durante o voo.
Pode capturar aves muito jovens de espécies pequenas que estejam fora do ninho (ninhegos), tendo sido observada a captura de um jovem Bico-de-lacre (Estrilda astrild) que era alimentado no chão pelos pais e que provavelmente havia caído do ninho. (Observação:Wagner Rocha)
Aprecia os frutos da fruta-de-sabiá ou marianeira (Acnistus arborescens), chala-chala (Allophyllus edulis), araticum ou marolo (Annona coriacea), maria-preta (Solanum americanum), magnólia-amarela (Michelia champaca) e do tapiá ou tanheiro (Alchornea glandulosa). Costuma frequentar comedouros com frutas.
É uma ave que está sempre descobrindo novas formas de alimento. Devido ao seu regime alimentar generalista, por vezes contribui para o controle de pragas de insetos, inclusive cupins urbanos.
É cada vez mais comum observar em áreas antropizadas, principalmente nas grandes metrópoles, indivíduos se alimentando de ração industrializada de animais domésticos, como a de cachorros e de gatos. (Observação:Antonio Vicente)
Observação pessoal (Demis Bucci): Um comportamento não muito comum é a forma de peneirar em busca de insetos em áreas descampadas, vide vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=pHhqSZbPAG0&feature=g-upl
Faz ninho grande e esférico, com capim e pequenas ramas de vegetais em galhos de árvores geralmente bem cerradas, com entrada lateral; porém, já foram encontrados ninhos em formato de xícara aberta. Pode utilizar para construir o seu ninho, sobretudo em zonas urbanas, material de origem humana, como papel, plástico e fios. Põe de 2 a 4 ovos de cor creme com poucas marcas marrom-avermelhadas. Existem muitos registros de nidificação em cavidades em árvores, rochas e estruturas artificiais, em vários países; é, portanto, ave que nidifica em cavidades.
Observação minha (Célio Rockenbach) em três casais diferentes. O casal mudou o ninho de lugar. O novo ninho foi feito em outra árvore com a utilização dos ramos e material do ninho antigo.
É agressivo, ameaça até gaviões e urubus quando esses se aproximam de seu “território”. Costuma pousar em lugares salientes como postes e topos de árvores. Pode-se vê-lo facilmente cantando em fios de telefone, em telhados ou banhando-se nos tanques ou chafarizes das praças públicas, demonstrando grande capacidade de adaptação. É um dos primeiros a cantar ao amanhecer. Anda geralmente sozinho, mas pode ser visto em grupos de três ou quatro que se reúnem habitualmente em antenas de televisão. Podem ser encontrados em áreas urbanas,matas densas e ambientes aquáticos como lagoas,rios e praias.
É ave típica da América Latina, com uma distribuição geográfica que se estende predominantemente do sul do México à Argentina, em uma área estimada em 16.000.000 km².
Entretanto, pode também ser encontrado no sul do Texas e na ilha de Trinidad. Foi introduzido nas Bermudas em 1957, importado de Trinidad, e na década de 1970 em Tobago. Nas Bermudas, é a terceira espécie de ave mais comum, podendo atingir densidades populacionais de 8 a 10 pares por hectare.